18 de outubro de 2010

“Todos os dias ela faz tudo sempre igual ...”



Ninguém como o Chico Buarque para cantar a rotina tão bem ...
Ah! Se a rotina fosse como uma música do Chico... Na verdade a rotina de uma mãe está mais para “rage against the machine” do que para qualquer bossa!
Acordar às seis da manhã, tudo bem ... é igual à música do Chico, mas o café e o sabor de hortelã só vêm depois de levantar a pequena pessoa do berço (haja coluna), depois levá-la ao trocador, tirar a fralda, que depois de uma noite toda está com cerca de 1Kg de xixi+gel, limpar o bumbum da lindona, passar a pomada para evitar assaduras, fechar a fralda, tudo isso tentando driblar as mãozinhas espertas da fralda suja e do tubo de pomada (isso é importante na fase em que o bebê leva tudo para a boca!), enquanto as perninhas literalmente saltam de um lado para o outro, tornando o ofício de trocar fraldas uma valsa de pura “rage”!
Depois ... café?
Não, ainda não ...
Primeiro coloca-se a pessoinha no carrinho, sentar de primeira é impossível ! As pernas sempre travam nas beiradas e depois de relutar para sentar, é necessário prender o cinto de segurança ... (para tomar café?). Sim! Da última vez que não fiz o procedimento correto, tive que resgatar a bebê em meio a uma flexão de braço na barra de proteção do carrinho ... SORTE que os bracinhos estão fortes!
Mas e daí vem o café?
Não, ainda não ...
Depois de bem segura no carrinho, vem a frutinha da manhã. Quem já alimentou um bebê sabe ... a meleca faz parte! Boca, mão, nariz, orelha, cabelo (a minha tem muuuuito cabelo), pé ... TUDO! Exatamente tudo fica sujo depois da papinha!
Como? Vou explicar em dois passos:
1)      A colher nunca entra na boca de primeira, então esbarrar dos lados é praxe! Às vezes o balanço da cabeça é de cima para baixo ... aí o nariz não escapa!
2)      Encaixada a colher na boca, a mão vem para ajudar a deglutição, nisso a mãe vira para pegar o guardanapo e aí ... a mão já foi no cabelo/orelha/ pé/olho/ carrinho/ cachorro/ roupa da mãe/ o que tiver mais perto.
Bom, depois de terminada a frutinha da manhã e a limpeza final da pequena vem o café!
Não, ainda não ...
Tudo o que entra ... SAI! É bem provável que logo depois (às vezes até durante) a frutinha da manhã venha o primeiro presente do dia ...  daí vem a parte de trocar a fralda de novo, que não vou relatar repetitivamente.
Finalmente, vem o café! Abençoado café ... dois minutos de bossa ... para mais outras horas de “rage against the little sweet machine”.

14 de outubro de 2010

Policarbonato Bisfenol


A triste constatação de uma mulher pós-moderna é que ela pode, do dia para a noite se transformar numa magnífica e reluzente: MAMADEIRA!
E aí a gente fica se sentindo a pessoa mais importante do mundo e o momento de ser MAMADEIRA torna-se o mais LINDO ... ai ai ... toda mãe que é mamadeira ambulante é iludida assim como eu?

7 de outubro de 2010

Mãe é uma só ...



Graças a Deus!

Imagina mais de uma pessoa te falando: "Já comeu?", "Leva o guarda-chuva que vai chover!", "Juízo!" ...
Aliás ... Qual é a mãe que não manda a gente ter juízo? Como se aos 15 anos alguém tivesse juízo, e como se aos 18 a gente já o tivesse adquirido junto com a carteira de motorista. E não temo dizer que, tenho amigos que não têm juízo até hoje ... passados dos 30 anos! Uau .. será que a mãe deles ainda pede para que tenham juízo? Sem dúvida!!!

Toda mãe é persistente por natureza ... já tentou contrariar algo que a sua mãe "mandou" fazer? Quantas vezes ela repetiu para que fizesse até você "efetivamente" fazer? E, caso não tenha feito (CO-RA-JO-SO), com certeza deve ter dado tudo ERRADO e daí vem outra frase digna de mãe: "Não disse!?"
O pior, é que nós mulheres internalizamos tanto esse "Não disse!?", que "maternalmente" passamos a repeti-lo também aos coitados dos namorados, maridos etc ... É um círculo vicioso e sem fim!

E quanto à magia da metereologia? Elas sabem exatamente quando vai chover ao mandar levar o guarda-chuva ... é sobrenatural! Se você resolve levar o guarda-chuva sem que ela recomende, é carregar peso a toa, pode crer!

Voltando à unicidade das mães ... A minha mãe é única! Corta as frutas em quadrados (grandes) para o meu lanche e me faz suco de frutas no meio da tarde para "matar a sede". Além de repetir tudo o mais que as outras mães falam aos seus filhos ... é docemente atrapalhada para as tecnologias e extremamente dependente de nós, suas filhas. Exatamente como toda mãe é!

Já eu ainda estou treinando ... E mal vejo a hora de dizer: "Maria Luiza! Não esquece de levar o guarda-chuva porque vai CHOVER!"

E então choverá de verdade ... e definitivamente entrarei para o mundo ÚNICO DAS MÃES!

6 de outubro de 2010

Angústia de mãe ...

Ando sofrendo ao deixar minha pequerrucha em casa ...
Me disseram que não melhora ... PIORA!
"Imagina quando ela falar: Mamãexinha ... fica! Fica!"

ai ai ai  ... Que inveja da minha mãe, que já bem criou três ... e que só de vez em quando ainda pedimos: Vem me visitar mamãexinha, vem?!"

5 de outubro de 2010

O Berço e o Cofre [Crônica Falada - 29.09.2010]

O Berço e o Cofre [Crônica Falada - 29.09.2010]: "Achamos que um bom negociante aprendeu com o pai. Não é verdade. Um bom negociante é aquele que põe a mãe no meio.

É com a mãe que aprendemos a nos traduzir. Lá nos primórdios, quando éramos um bebê, chorávamos. A mãe distinguia e avisava:

- Ah, você está com fome.

A gente não sabia. A gente só gritava. E a mãe conversava:

- Ah, você está com sede.

- Ah, você está com cólica.

- Ah, você está com sono.

Sono? A gente ainda duvidava, lá na fase dos porquês. Chatíssimos, deambulando pela sala:

- Não estou com sono!

Mas ao pousar no travesseiro, a infalível verdade caía sobre nossas pálpebras. Dormíamos profundamente.

Esse modo dicionário é prerrogativa da mãe. Na hora de negociar, quem teve uma professora de linguagem corporal suficientemente boa conseguirá melhores resultados. Caso contrário, a irritação chegará aos nossos ouvidos quando a voz já estiver alterada, quando o estrago já avermelhar o extrato do banco.

É comum atribuir ao outro a origem da briga, declarar que não havia outra saída a não ser partir para o desaforo. A verdade é que, a qualquer momento, o sujeito pode avisar de que está a ponto de explodir; sentir um frio na barriga e comunicar, igual sua mama fazia:

- Ah, você está ficando nervoso.

Ligar o alerta é fundamental, questão de prática e de senso. Antecipar minutos antes de perder a linha é decisivo. Não é à toa que italianos e judeus ganharam fama de grandes negociantes. Saem fácil da cena, adoram conversar com sua maternidade.

É gente que desiste do orgulho, troca o tacape pelo rolo de massa e jamais deixa o sono levar a paciência embora.

> > Assista Esta Crônica Falada
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM.
Apresentação @katiasuman
Crônica de @cinthyaverri exibida em 29/09/10
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4 de outubro de 2010

Nó na garganta!

Ser mãe é meio que sofrer pelos outros ...
Aliás, sempre fui de sofrer por todo mundo ... de tomar as dores ... de querer cuidar e controlar.
Mas sofrer pelos outros também dói!
Dói porque quando a gente sofre pelo outro, não há o que possamos fazer ... só sofrer e ponto! A tarefa de "sair da pior" ou de "desencrencar" é do outro ... que na maioria das vezes nem sabe que existe alguém sofrendo por ele!
Parece conversa de louco ... mas toda mãe é meio louca! Nunca vi uma mãe 100% normal.
O nó na garganta aparece quando a mãe percebe que não há o que fazer ... apenas esperar!
E o que sobra para a mãe controlar? Nada!?!

O tempo não se controla ...

*Dentinhos da Malu rompendo a barreira da sanidade!