3 de novembro de 2010

DESAPEGO

Passei a semana pensando em vários motivos pelos quais eu deixaria a minha pequena em casa para ir trabalhar.
Aí veio a realização profissional, a independência econômica e tudo mais aquilo que toda mulher deste século sonha em ter.

Cai a noite ...

Passa a febre da independência, e daí?
Ai sobra uma mãe que não consegue sequer pensar em "abandonar" (sim, é esse o termo exato), a filha mais do que as quatro (já combinadas) horas por dia.
O sentimento de que o mundo inteiro vai parar de funcionar se você não estiver ao lado da criança é latente e as lágrimas de culpa (sim ela é terrível) rolam sem parar.

Ouvi uma certa vez que a culpa da mãe nasce junto com o filho ... Culpa por não ser segura o suficiente, culpa por não acertar a papinha de primeira, culpa por não saber trocar a fralda direito e ter causado assaduras no bebê, culpa, culpa, culpa ... Culpa por não ser a mulher do Eike Batista e ter que trabalhar para poder garantir um futuro mais próspero para o pequeno rebento.

Será que ela vai me desculpar algum dia por eu ter que deixá-la na creche tão cedo?
Será que ela vai me perdoar pelas horas que eu não puder estar junto dela?
Será que ela vai me amar do mesmo jeito, mesmo estando longe de mim por tanto tempo?

O medo do desapego é brutal ... noites sem dormir ... lágrimas de culpa (de novo, e de novo!).

Não aguentei e também fui buscar a minha mãe ... essa mãe, mãe de gente adulta feito eu, mãe de mãe como eu, já consegue ser mais racional.

E a resposta vem do outro lado da linha bem simples, com a doçura que toda a mãe tem (mesmo as mães das mães):

"Desapegue! Viva a sua vida aproveitando as oportunidades que lhe aparecem, pois "largar" tudo pelos filhos é um erro ... cedo ou tarde eles crescem e se vão, e você fica somente com aquilo que já conquistou."

Assim, estou tentando ... exercitando ... o desapego!

Mas a pequena só vai ano que vem para a creche! hehe

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