19 de agosto de 2011

“O GRITO DA MÃE TIGRE”, E PORQUE EU GRITO TAMBÉM!



Já não era sem tempo.

Eu tinha que fazer uma resenha sobre o livro: "O Grito da Mãe Tigre", da sino-americana Amy Chua que também é professora de direito da Universidade de Standford (EUA), além de editora da revista de direito da mesma faculdade. Então, tirando o fato de que chineses e japoneses não se dão muito bem, a identificação foi imediata!

O livro nada mais é do que um relato de como ela educou até o momento suas duas filhas, hoje adolescentes. Ou seja, da tenra infância até o período mais crítico do ser humano, o que ela fez como mãe para educar à sua maneira (chinesa) suas filhas.

Esse relato, passa principalmente pela certeza de que, a metodologia educacional aprendida com seus pais chineses, está mais certa, do que as regras "ocidentais" de criação dos filhos.

Tá certo que fiquei meio chocada quando ela relatou que, toda contente chamou os pais para estarem presentes numa premiação de melhor aluno da escola, onde ela mesma receberia o troféu de segundo lugar e o pai a teria reprovado veementemente, afirmando que jamais tinha passado uma vergonha tão grande quanto aquela: a de não ter a filha dele em primeiro lugar. Mas tudo bem, a minha mãe mesmo, já me disse um dia que eu era uma “zero-à-esquerda”, e isso dito, ela me fez pensar na minha própria vida e o quanto eu estava estagnada “me achando o máximo”, numa tal comodidade ilusória de que a minha vida já estaria "resolvida". Foi aí que resolvi mudar tudo, e vim parar em Porto Velho! (O resto dessa história eu conto outro dia ...)

Mas a educação chinesa, eu diria, a educação oriental exige isso mesmo da criança. Ou você se esforça para ser o melhor, ou você não se esforçou o suficiente. Assim, somos educados a conhecer que nossos limites, só se tornam grandes obstáculos se não houver esforço suficiente (ou vontade), para que essa situação mude (eu tb fui educada assim, principalmente pela minha avó materna).

Portanto, ter dificuldade em aprender matemática, por exemplo, deve ser ultrapassada no sentido de 1) prestar mais atenção nas aulas; 2) ter aulas de reforço; 3) repetir (MUITO) os exercícios em casa, ou como dizia meu pai: "Até aprender!". Já a autora, que não conversou com o meu pai (graças a Deus!), diz que em matemática, nossos filhos devem estar no mínimo, dois tópicos à frente dos demais colegas.

Seguindo essa regra, eu tinha um caderno para conjugar os verbos irregulares, um caderno de caligrafia e um caderno de problemas matemáticos. TODOS, supervisionados não pela escola, mas pelo meu pai.

Nunca fui A melhor da sala (o meu pai não era TÃO exigente assim), mas as minhas dificuldades como aluna eram MUITO minimizadas pelo acompanhamento que tinha em casa. E as dificuldades, encaradas como desafios a serem resolvidos com a ajuda dos meus pais.

Além desses aspectos escolares, que eu poderia ficar contando em vários episódios, a gente também não tinha "vontade própria", ou seja, verdadeiramente era aplicado em casa o sistema onde: "criança não tem vontade"! Portanto, se íamos num restaurante, por exemplo, era "coca-cola para todo mundo", "suco para todo mundo" ou "água para todo mundo", a depender da sede do meu pai. Só fui escolher minha própria bebida, na mesma mesa que meu pai quando já podia pagar por ela!

Essa severidade e rigidez no sistema de educação pais-filhos é durante todo o livro, relatado de forma tão latente que às vezes a gente se vê condenando a autora por querer extrair o máximo de suas filhas e morrendo de pena das pobres crianças. Uma estuda piano de tal forma, que se torna uma virtuose a ponto de dar um concerto no Carnegie Hall em Nova Iorque. E a outra, é "obrigada" a aprender violino e é com essa que ela trava as maiores guerras.

Mas por outro lado, ela pondera que, ao contrário dos outros pais americanos, ela acompanha pessoalmente todas as atividades das filhas. Não delegando a terceiros (escola, professores etc) as obrigações que ela acredita serem dos próprios pais (ou de um deles, no mínimo). Faz roteiros detalhados para a execução das tarefas de casa e, acredita ainda que, ao estimularmos atividades "inúteis", estaríamos perdendo tempo, que poderia ser utilizado em atividades que definiriam o sucesso profissional de nossos filhos.

Então se o seu filho é gordinho, ele nunca será um atleta de velocidade, bem como, não adianta colocá-lo na aula de ginástica olímpica. É perda de tempo.

Se, de alguma forma, você vislumbra uma qualidade física ou intelectual no seu filho, você deve estimulá-lo a ser o melhor naquela atividade. Então se ele tem dom musical, estimule-o a tocar um instrumento. Mas, segundo a autora, não vale a pena se você quiser que apenas ele toque na fanfarra da escola (existe fanfarra ainda?), mas sim, ele deve seguir os estudos até o fim, para que no mínimo seja considerado profissional naquele instrumento. Ah! Ela lembra que, músicos não ganham muito, então ... Os estudos das matérias na escola não devem ser deixados de lado!

Também alerta que, se na primeira dificuldade encontrada, apoiarmos o nosso filho a desistir. Não ensinaremos a ele que podemos ultrapassar nossos limites quando queremos. Que podemos vencer e encarar as dificuldades da vida, quando elas se apresentam. Ao tentar protegê-lo das decepções, estamos matando esse empreendedorismo e essa coragem de enfrentamento, e roubamos dele o sabor da conquista. Devemos ensinar a eles o valor da PERSISTÊNCIA.

Mas ela não é um ser insensível não ...  Não condeno a mãe tigre, por ser "tigre" e não "galinha", que protege todos sob suas asas. Ela educa suas filhas de tal forma que, não espera amor ou afeto imediatos, acredita que, com o tempo elas a compreenderão e a amarão, ainda que no HOJE, o clima seja bélico. Por isso é tigre, ela luta a todo tempo pela sobrevivência de sua ninhada. Sendo mãe tigre, ela cria as filhas para que saibam lutar pelas suas próprias “caças”, e não apenas esperar que lhes joguem o milho.

Enfim, ao ler o livro, temos que compreender que em regra os pais erram tentando acertar. Que tentamos reproduzir com nossos filhos, o modelo de educação de nossos pais (ainda que quando mais novos não concordássemos com ele), incrementando aqui e ali. E, que algumas lições podem ser copiadas da autora sim, com ou sem flexibilizações, a depender do quanto você quer ser liberal ou rígida.

Eu já sei como vou ser, a minha própria educação não me permite ser uma mãe mega blaster liberal. Sei que serei muito mais tigre do que pata, e como já disse algumas vezes nesse blog, as sequelas serão tratadas posteriormente... quando Maria Luiza puder compreender que ser mãe também implica em fazer o "trabalho sujo". Afinal, ser ruim, também é ser mãe (quem é que não se lembra de uma bronca gigante, com um riso no canto dos lábios?).

Ser mãe é endurecer, sem perder a ternura (e a beleza também). Por isso, e para que a Malu seja tigre como eu, como a minha mãe, e como a minha avó...

Eu também GRITO!

P.S. Este post é em homenagem à minha cunhada Aline, que acaba de receber a notícia de que também será mamãe! Parabéns!

Um comentário:

  1. Cunhadina linda, infelizmente só agora percebi essa homenagem... obrigada pelo carinho.

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